Corante em Plástico e Borracha: Por Que a Extrusora Queima a Cor

O lote que entrou vermelho e saiu marrom
É uma das reclamações mais caras de quem colore plástico: a cor foi aprovada na bancada, o material entrou na extrusora e saiu com outro tom — mais escuro, amarronzado, às vezes sem força nenhuma. Na maioria das vezes o corante não estava com defeito. Ele simplesmente foi queimado.
Todo corante e todo pigmento têm uma temperatura acima da qual a molécula começa a se degradar. Numa extrusora trabalhando perto de 300 °C, um corante vermelho que não foi feito para esse calor pode sair marrom. E a degradação não aparece só como mudança de tom: pode vir como perda de cor no meio do lote, escurecimento geral e até odor ou liberação de gás.
Temperatura e tempo de residência
Extrusão e injeção trabalham quentes, e cada polímero pede uma faixa própria. Polietileno e polipropileno costumam ser processados entre 180 e 260 °C; alguns plásticos transparentes passam de 250 °C. O colorante precisa aguentar a temperatura do seu processo, não a de um processo genérico.
O segundo fator, quase sempre esquecido, é o tempo de residência: quanto tempo o material fica na rosca a quente. Uma parada de máquina com material dentro, ou um perfil de rosca que segura demais o fundido, degrada uma cor que aguentaria bem a mesma temperatura por menos tempo. Por isso a primeira pergunta antes de indicar qualquer colorante para plástico é: a que temperatura, e por quanto tempo?
Pela mesma razão, corante básico está fora de questão em extrusora ou em qualquer processo de alta temperatura — o calor destrói a estrutura dele.
Transparente ou opaco: corante solvente ou pigmento
Existem dois caminhos, e a escolha começa pelo aspecto da peça. O corante solvente dissolve no polímero fundido e dá cor transparente, com brilho. É o que se usa em peça translúcida: acrílico, poliestireno cristal, PET, policarbonato.
O pigmento não dissolve: fica disperso em partículas, dá cobertura e opacidade e, em geral, resiste melhor ao calor e à luz. É a escolha natural em peça opaca e o único caminho quando a peça vai ficar exposta ao tempo. Um exemplo do catálogo é o Pigmento Verde 7, conhecido pela resistência ao calor e à luz; o Pigmento Branco 6 é usado para dar corpo e clarear tons opacos.
Cada plástico é um meio diferente
Polietileno (PE) e polipropileno (PP) são opacos ou translúcidos por natureza e normalmente levam pigmento. PVC rígido também vai de pigmento. Já o PVC flexível, plastificado, merece atenção especial: é o campeão de migração, porque o plastificante funciona como uma estrada para o corante solvente. Ali, pigmento é a escolha mais segura.
Borracha natural, SBR e EVA são vulcanizadas a quente com enxofre e aceleradores, que podem reagir com o corante e mudar a cor depois da vulcanização. O pigmento é a escolha habitual, e o teste precisa ser feito no composto real, não em uma amostra isolada.
Migração: quando a peça mancha a outra
Corante solvente é uma molécula pequena e móvel. Em polímero flexível ele caminha até a superfície: a peça parece "suar" cor, mancha a embalagem ou tinge a peça branca encostada nela. A queixa costuma chegar como "depois de um tempo a cor saiu para fora" ou "a etiqueta ficou rosa".
As saídas técnicas são trocar por pigmento, reduzir a dose ou rever o plastificante. E vale um teste simples antes de aprovar: deixe uma peça colorida encostada em uma peça branca do mesmo material por 15 dias em ambiente quente e veja se houve transferência.
Uso externo e variação entre lotes
Peça de jardim, construção ou uso automotivo toma sol e chuva. Corante solvente desbota nessas condições; pigmento em geral resiste, mas nem todos igualmente, e o teste de exposição é obrigatório.
Se a cor varia de um lote para outro, o problema costuma estar na dosagem manual de uma quantidade muito pequena de pó. É por isso que boa parte da indústria trabalha com masterbatch — um concentrado de cor em polímero portador — ou com pasta dosada por bomba: a dose fica mais precisa e a cor, mais repetível.
O que saber antes de escolher
Antes de pedir um colorante para plástico, tenha em mãos cinco respostas: qual o polímero exato, e se é rígido ou flexível; se a peça é transparente ou opaca; a temperatura e o tempo de processamento; como a cor entra (masterbatch, pó ou pasta); e se a peça encosta em material claro ou fica exposta ao tempo.
Com essas informações é possível indicar o produto certo e evitar o lote inteiro fora de cor. Chame no WhatsApp, conte o seu processo e peça uma amostra para testar na sua máquina antes de produzir.
Perguntas frequentes
Porque a temperatura do processo passou do limite que aquele corante suporta. O calor degrada a molécula e a cor escurece, muda de tom ou perde força. Tempo longo do material na rosca agrava o problema, mesmo em temperatura aceitável.
Depende do aspecto da peça. Para cor transparente em acrílico, poliestireno cristal, PET ou policarbonato, corante solvente. Para peça opaca, PE, PP, PVC, borracha ou uso externo, pigmento, que cobre e em geral resiste melhor a calor e luz.
Não em processo quente. O corante básico não aguenta a temperatura de extrusão ou injeção e se degrada. Para plástico, os caminhos são corante solvente ou pigmento, conforme a peça seja transparente ou opaca.
É migração, comum com corante solvente em plástico flexível, principalmente PVC plastificado. A solução costuma ser trocar por pigmento, reduzir a dose ou rever o plastificante. Teste antes com a peça encostada em outra branca por 15 dias em local quente.
Sim, e é o recomendado. Peça uma amostra pelo WhatsApp, informe o polímero e a temperatura do seu processo e faça o teste na sua própria máquina, que é onde a cor precisa se provar.
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